A olho nu, numa primeira leitura,
aparecem animais, bichos, pássaros, caramujos, capivaras,
plantas, flores...
Minha linguagem é uma mescla de diversas imagens, algumas
orgânicas, outras figurativas ou surreais, que convidam o espectador
a uma viagem pelo tempo e espaço, com a intenção de criar uma singular
cosmogonia a través da quebra da perspectiva.
Nessa cosmogonia estão presentes os desenhos animados dos anos
sessenta do Yellow Submarine dos Beatles; o mundo do gibi, os petroglifos,
a cultura dos maoris, suas tatuagens ancestrais.
A geometria da arte pré-colombiana dos Maias e Astecas.
A estética futurista do Cirque de Soleil, as delirantes fantasias do carnaval.
E o bom humor em todos os sentidos.
Os inovadores da arte moderna: Miró, Kandinsky e Paul Klee.
O construtivismo do uruguaio Joaquim Torres Garcia.
O surrealismo do brasileiro Darcilio Lima
As gravuras da literatura de cordel.
A música do Coltrane, o folclore latino-americano, a música brasileira,
e os matizes da terra onde nasci, no Uruguai.
I
Ao olho mostra a integridade
de uma coisa num bloco, um ovo.
Numa só matéria, unitária,
maciçamente ovo, num todo.
Sem possuir um dentro e um fora,
tal como as pedras, sem miolo:
é só miolo: o dentro e o fora
integralmente no contorno.
No entanto, se ao olho se mostra
unânime em si mesmo, um ovo,
a mão que o sopesa descobre
que nele há algo suspeitoso:
que seu peso não é o das pedras,
inanimado, frio, goro;
que o seu é um peso morno, túmido,
um peso que é vivo e não morto.
Fragmento extraído do poema O ovo da galinha de João Cabral de Melo Neto
E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vida dos insetos...
Mario Quintana
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